07 Novembro 2009

A Blogosfera Cristã em Cordel - N° 1



A

Em três anos de blogueiro

Muitos amigos eu fiz

Arranjei muito arengueiro

Com outros, eu fui feliz

Dei uma de aventureiro

E ainda sou um aprendiz.




Nesse mundão virtual

Colhi flores e espinhos

Às vezes me dei foi mal

Em não entender o vizinho

Mas no cômputo geral

Me adeqüei a esse ninho.



Fiz aqui um treinamento

Para se obter paciência

Expus os meus argumentos

Falei de Deus e Ciência

Em muitos enfrentamentos

Procurei ter coerência.




.Critiquei, fui criticado

.Mexi em muito vespeiro

.Quase fui crucificado

.Na cruz de um carpinteiro

Mas no fim fiquei calado

Pra não enfezar o parceiro.




“Hereges” da blogosfera

Com seus temas melindrosos

Atiçaram as muitas feras

Com seus textos extremosos

Esquentando a atmosfera

Deixando a muito nervosos.




Dois blogs por mim usados

Agradam-me por seu estilo

É o blog do Leonardo

E o do herege Danilo

Fico sempre no aguardo

Sentado em casa tranqüilo.




É lá no blog Genizah

Que tem texto a cada hora

Quando penso em comentar

Com três horas de demora

Um texto novo lá está

E o primeiro foi embora.




.Leo e o Púlpito Cristão

.Estão botando pra quebrar

É cada tiro de canhão

Em quem não sabe pregar.

E a gente na animação

Comentando sem parar.




Tem blogs dos moderados

Também tem os saudosistas

Tem os que são abusados

Não gostam de cientistas

E os que vivem pendurados

Nos seus conceitos biblistas.




Tem artista em fazer rir

E uns que fazem chorar

Alguns querem se despir

Outros só querem orar

E os que querem só ungir

Cantando “pra te adoraaaar!”




P.S.: Aguardem o Cordel da Blogosfera Cristã n° 2



Por Levi B. Santos

Guarabira, 07 de novembro de 2009



04 Novembro 2009

2010 - ANO EM QUE PÚLPITO VAI VIRAR PALANQUE


Uma notícia veiculada na seção “Radar” da revista VEJA dessa semana, despertou a minha atenção para uma trágica realidade: a de que se aproxima o “toma-lá-dá-cá” da selvagem politicagem nacional, no alvoroçado rebanho “evangeliquês” do nosso idolatrado (ou idólatra) país.

Com o subtítulo “Evangélicos Divididos”, o editor dessa seção, Lauro Jardim, fez a seguinte declaração:

As principais denominações evangélicas que hoje representam 15% da população, já estão discutindo 2010 ─ e, como não poderia deixar de acontecer, a divisão já está adiantada. A Renascer em Cristo, aquela cujos chefes Estevam e Sônia Hernandes foram presos nos EUA com dólares escondidos até na Bíblia, está praticamente fechada com José Serra. A Igreja Universal, acusada de remessa ilegal de dinheiro para o exterior vai de Dilma Rousseff no ano que vem”.

Interessante é que a matéria de Lauro Jardim não tocou no maior filão de votos, que é a corrente forte dos pentecostalistas. Tenho a ligeira impressão de que a maioria que forma essa seita cristã-sincrética de “guerreiros de fogo” está esperando o poder do “alto”, que deve vir em forma de profecias (já que profeta é o que não falta em suas hostes). Ou pode está aguardando um anjo de “luz”, para iluminar as suas mentes e os seus cofres, com a palavra final, sobre quem eles irão apoiar.

Não resta dúvida, de que uma grande batalha se instalará nos “armagedons” dos altares pentecostais, pois os representantes do deus Mamon, na figura dos candidatos, irão subir nos púlpitos (ops), nos palanques eclesiásticos, para tramar uma coalizão idêntica àquela que Lula disse que Judas faria naturalmente com Jesus, para governar a adormecida pátria que está “deitada eternamente em berço esplêndido, ao mar e a luz do céu profundo...” ─ como diz o pérfido e de mau gosto hino nacional (que tem mais língua estranha que às Ass. de Deus).

O deus Mamon (àquele do dinheiro ilícito) é muito astuto. Pode muito bem usar o púlpito ( antigo local sagrado) para falar em línguas estranhas, dar glórias a Deus e fazer fogo do céu cair e outras mil estripulias "inspirituais" para deleite da platéia histérica e ávida de espetáculos miraculosos, que fica de traseiro dormente sobre bancos duros. Não sabem os pobres coitados pentecostais, que a maior negociação entre os representantes do Deus de “pentecostes” e o Deus Mamon, ocorrerá em secreto nos “bunkers”, tipo aqueles em que Hitler se reunia com os seus comandantes, para não ser visto pela “populaça”. É lá nos gabinetes das igrejas, que propostas espúrias entre Mamon e o deus pentecostal serão negociadas em troca dos votos das ovelhas e bodes de seus currais. Votos serão transformados em bens, mansões, chácaras, automóveis importados, empréstimos à juros zero, estadias em hotéis de cinco estrelas em simulacros de congressos inventados, todas as semanas, para deleite carnal, usando como isca o nome de Deus, com temas bíblicos, transformados em bordões comerciais.

Quem tiver juízo, leia o que Jesus disse, sobre tempos como esses, em que os lugares sagrados (púlpitos – ou altares) estão sendo preparados para ser profanados: “Portanto quando virdes que a abominação da desolação de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê entenda), então os que tiverem na Judeia (Brasil), fujam para os montes”.



Por Levi B.Santos
Guarabira, 04 de novembro de 2009

02 Novembro 2009

Marcha para Jesus com cerveja de Jesus, pode!



Era só o que faltava! Com tão pouco tempo de aprovada a marcha para Jesus no Congresso Nacional, já surgiu a “Cerveja de Jesus”, e tem a marca Sagres. Deve ser aquela cerveja que satanás falsificou ao retirar a pequena porção de álcool que existia nas cervejas tradicionais. Sendo assim, ela pode ser usada à vontade, hoje, na grande marcha para Gezuiz. O pecado da falsificação é menor que o pecado da embriaguês.

Assista agora a conversão de um viciado que deixou a cerveja com álcool, para beber daquela que não é pecado: “A cerveja Saaaaaaagres”
Bem, boa marcha por Gezuiz, para esse novo convertido. (rsrsrs)






Guarabira, 02 de novembro de 2009

26 Outubro 2009

LULA: JESUS FARIA ALIANÇA COM OS “JUDAS” DO CONGRESSO.



Grande blasfêmia proferiu o “todo poderoso Presidente”! (Edição 2136 de Veja - página 78)

Se o mandatário maior de nossa república conhecesse realmente os Evangelhos, jamais diria que Cristo se aliaria a Judas para maléficas empreitadas de natureza política.

Todos nós cristãos sabemos, Senhor Presidente, que Judas traiu e abandonou Jesus Cristo para se associar ao deus do dinheiro ilícito, denominado Mamon (do Velho Testamento), que comanda a espúria política de nosso país.

É uma blasfêmia dizer que o Filho de Deus, Aquele que gratuitamente deu a sua Vida para resgatar os pobres pecadores, teria a capacidade de se aliar aos Judas da equipe governamental para fomentar atos ilícitos, como gastos altíssimos para cooptar os grandes, e pratos de lentilhas (bolsa família) para comprar o direito de cidadania dos desvalidos, vítimas do injusto e nefasto esquema político que segrega a sociedade, disseminando a corrupção e o crime.

É profundamente lamentável a analogia de péssimo gosto, realizada pelo Presidente, usando o que é sagrado, de maneira farisaica, a fim de justificar e manter por meios escusos a sua folgada maioria no Congresso.

A minha indignação ante essa banalização do mal é tão grande, que em minha imaginação, pareço ouvir a proposta espúria - "Tudo isso te darei, se prostrado, me adorares" - dirigida a Jesus pelo deus dos conchavos diabólicos de dois mil anos atrás, lá no cume do Templo de Jerusalém.

Que Deus na Sua infinita misericórdia possa te perdoar, Presidente, porque não sabes o que dizes!

Que os pastores evangélicos, nessa suja guerra política pelo poder terreno, que se aproxima, tenham a honradez e a coragem de dizer: “Dai ao imperador do Brasil (Lula) o que é de Lula(impostos extorsivos), e a Deus o que é de Deus”, em analogia ao que Cristo falou a Cesar, também, imperador político de uma grande nação corrompida ─ Roma.


Levi B. Santos
Guarabira, 26 de outubro de 2009



Para assistir a repercussão do ato reprovável do nosso Presidente, clique no vídeo abaixo:


24 Outubro 2009

UMA ORAÇÃO DE GRATIDÃO





EU TE AGRADEÇO SENHOR, por me fazeres entender que já não devo andar de lugar em lugar, fazendo sacrifícios de “quebra de maldições”, pois o Teu Filho já apagou para sempre, todas as culpas e meus infortúnios lá na cruz do Calvário.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por teres enviado Teu Filho a fim de padecer todo tipo de tentação, fraqueza e vicissitude humanas, para só assim, ter o poder de compadecer-se de mim, reles homem vendido ao pecado.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por me fazeres entender que estarei sempre debaixo de Tua infinita misericórdia, mesmo quando as ambigüidades inerentes a fragilidade humana, me fizerem errar ou pecar por atos e pensamentos.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por me fazeres compreender que a aflição de cada dia não é conseqüência do meu pecado, ela é sim, a única via que me leva a adquirir paciência, sem a qual jamais poderei amadurecer.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por teres permitido que o Teu Filho se tornasse meu advogado, amigo e irmão, para interceder entre mim e Ti, em meus erros e contradições. Mesmo sabendo que sou miserável, pusilânime e mesquinho, contudo, reconheço que há uma essência superior que me impele impiedosamente para cima, fazendo dessa vil lama humana, jorrar canções Divinas.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por me fazeres entender que o desejo inconsciente de suscitar em nós a culpa e o medo da punição pode estar embutido até nas aparentes e belas exortações.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por saber que só Tú e o meu travesseiro, em minhas noites insones sabem dos meus gemidos, dos meus ais e minhas preocupações. Dou graças a Ti por momentos como esses, em que a minha “fala” Contigo vale mais do que todos os discursos que eu tenho feito para os outros.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, que me fizeste entender que ajudar um doente em seu leito de dor, não é fazê-lo se sentir culpado pela sua própria doença.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por teres retirado os pesados fardos de rituais, penitências e obrigações eclesiásticas que estavam sobre os meus lombos para substituí-los por um fardo leve, fruto da espontânea vontade de Te servir pelo que Tu és, e não pelo que Tu podes me dar em troca.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por me fazeres ver que o meu maior inimigo não é aquele que pensa e age diferentemente de mim. Dou graças sim, por teres me revelado que o meu maior inimigo é o velho Adão ainda latente dentro de mim, com o qual eu tenho que conviver indefinidamente, tal qual um espinho impossível de ser retirado, entranhado profundamente em minha carne.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por me fazeres ver que não sou melhor do que meu próximo, e por teres me feito entender que somos todos parecidos, somos todos pecadores agraciados por Ti.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por me fazeres entender que Salvação não é uma idéia, é o próprio Jesus que se dá, e em Sua presença todos os infindáveis debates cuja finalidade é despertar o medo e a culpa, se esvaem.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, por teres me permitido chegar até essa idade, para que eu pudesse aprender muitas verdades que dantes não conhecia, inclusive, a de saber que devo me converter mais a cada dia que passa.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, pelo Teu poderoso bálsamo que aplaca as dores e os gemidos de minha alma, quando o meu coração vacila perigosamente, e meus pés trêmulos tateiam ora o chão firme, ora as trevas do abismo.

EU TE AGRADEÇO SENHOR, porque acampaste dentro da pequena tenda do meu corpo para delimitá-lo com o círculo de Tua Divindade, dando rosto as minhas esperanças que já estavam desfalecidas.



Meu dever é discernir e Te aceitar sem fúteis revoltas; aceitar as amargas e fecundas verdades humanas que são também pedaços de minha carne. Mesmo que na Tua marcha eu me atrase como desertor, ou que me deixe fraquejar pelo desânimo e pelo cansaço, não afastes de mim o Teu Espírito, para que eu possa sempre TE AGRADECER, Ó SENHOR!



Por Levi B.Santos

Guarabira, 24 de outubro de 2009

17 Outubro 2009

O NEUROTIZANTE “PODER” DOS LÍDERES RELIGIOSOS DE MASSAS




A obra do sociólogo Gustave Le Bon ─ “Psicologia das Massas” (1895), que ainda é muito lida hoje em dia e foi traduzida em numerosas línguas, descreve muito bem a noção de multidão e o papel de seus líderes na sociedade moderna.

A instituição eclesiástica é a mais sólida e antiga instituição humana que não sobrevive sem o poderoso desejo dos fiéis por um líder que leve sobre si os seus anseios mais prementes.

Le Bon admite que o desamparo, as incertezas, o desemprego e o estremecimento entre as culturas levam as multidões a reclamar por um mestre que os comandem com firmeza. As multidões querem um chefe que forneça referenciais, que diga claramente quem é amigo e quem é inimigo.

Para os antimodernistas, a salvação da humanidade estaria numa estrutura religiosa autoritária. Acontece que nossas capacidades criadoras e inquietas, nosso poder de invenção nascido com o “Iluminismo” possibilitou a saída para a maioridade do homem. O homem passa a se servir do seu próprio entendimento. Um sujeito novo nasceu com Descartes, em que a dúvida é a condição de uma verdadeira certeza.

Tanto a igreja como o exército são instituições baseadas na fidelidade a hierarquia, na disciplina e na ameaça de exclusão.

O líder religioso de massas “ama” aos seus seguidores ou comandados, e, em resposta, os fiéis “amam-se” como irmãos na fé. A importância do líder está em ocupar esse lugar à frente da multidão de servos que o veem como mestre (a quem entregam o comando de suas vidas). Foi assim, que os Alemães abdicando de suas próprias consciências, entregaram-se de corpo e alma à sanha do seu sanguinário e neurótico líder (Hitler), o qual via no povo Judeu a encarnação do próprio diabo.

Há grupos religiosos que mantém uma estreita dialética com o seu líder, da seguinte forma: cada indivíduo permite o aumento de sua submissão à emoção transmitida pelo pastor; ao mesmo tempo, experimenta a diminuição no controle da razão. E isso se dá por “sugestão”, que é confundida com manifestação do poder Divino. O Pastor ou líder carismático, diante das massas, se comporta como um hipnotizador, e pela sugestionabilidade permite o afrouxamento dos impulsos instituais do grupo. O que se vê então são fenômenos arcaicos aflorando através das mais bizarras reações, fenômenos esses, que estariam reprimidos há muitos anos num grande e oculto porão chamado “Inconsciente”.

O magnético líder religioso revestido de “todo poder” atribuído a Deus, cuida de desenvolver estratégias de sedução e de defesas, impondo ao homem as suas pretensas “verdades eternas”. O fiel como receptáculo da energia exalada de seu chefe espiritual, encontra o seu gozo ao identificar-se com a “alegria” ou sintomas neuróticos do seu comandante.

Os grupos religiosos, na verdade, anseiam pela glória de Deus na pessoa do seu pastor, esquecendo o que disse Lutero: “O Deus “absconditus” não pode ser encontrado, pois Ele se dá somente, de agora em diante, como Deus “revelatus”, isto é, Deus em PALAVRA”. Este Deus não pode ser alcançado diretamente, e, portanto, “possuído” num esforço legalista, místico ou especulativo.

Mas o que finalmente conseguem as massas empolgadas e seus líderes?

Conseguem apenas descarregar a libido reprimida, através de manifestações grotescas, próprias da neurose coletiva, semelhantes em tudo aos distúrbios do pensamento e da conduta, de que trata a medicina psiquiátrica. Infelizmente, toda essa manifestação doentia das massas regida pela batuta do magnético líder é rotulada indevidamente de poder Divino e religioso.




Ensaio por Levi B. Santos
Guarabira, 17 de outubro de 2009

13 Outubro 2009

O QUE APRENDI LÁ NO ÉDEN





...........O Éden não é uma metáfora, muito menos uma alegoria ou parábola. Metáfora não é, senão no sentido trivial em que todos os nomes são metafóricos.

...........No meu Éden imaginário se situam versões utópicas de religião, de poesia e de psicanálise. Na verdade, para mim, essas utopias são gazuas que servem para arrombar as janelas da realidade.

...........Eu estava lá na pele daqueles dois seres angelicais, transformados em criaturas humanas pelo egoísmo de lutar até a morte pelos seus interesses.
...........Para os Egípcios, o mundo acabou com Alexandre. Para os Bizantinos, com o saque dos Cruzados. Para os Incas e os Astecas, com os espanhóis. No entanto, o meu Éden é herdeiro daquilo que não acaba em cada fim de mundo. Nele se encontra o que se perdeu na realidade comum, ou o que nem chegou a haver. O meu Éden está nas memórias do “não ser” de minha mais remota infância.

...........A lógica no meu Éden não objetiva proibir inferências falsas. Não é uma lógica restritiva, mas uma lógica produtiva. Foi a outra criatura, tirada de dentro de mim, que me abriu os olhos para ver o diferente, que me fez do “não ser” um “ser”. Surgira ali a diferença do inesperado que pela primeira vez me fez pensar, investigar e duvidar.
...........Do dia-a-dia de minhas dimensões edênicas, uma via se abriu para superar a relativa paralisia em que me encontrava, quando estava só. Enveredamos agora, eu e a minha “costela encurvada”, pelo caminho dos resultados imediatos. Com o feminino tirado de mim, aprendi que cada um se faz no outro; cada um se vê no outro. Juntos, descobrimos o “verbo” que significa ação. Surgiu então o primeiro diálogo humano sob a forma de uma audácia transgressora que cuidava modelar um novo rosto contemporâneo de nosso Criador, com nossa própria carne e sangue. Porém, Deus não é um alvo abstrato, nem uma necessidade lógica, tampouco um alto edifício em que se harmonizem nossos silogismos e nossas fantasias. Deus não é um destilado inodoro e neutro; nem o feminino nem o masculino de nosso cérebro.

...........Saímos eu e minha costela arfante e falante, do ritmo da marcha de Deus, para se ajustar ao ritmo de nossa própria vida, pequena e fugaz. Queríamos conhecer o efêmero, vibrante e misterioso prodígio da existência, com olhos novos, com ouvidos novos, com paladar e olfato renovados pelo desvairado desejo de ser como o Criador.

Expulsos do Éden descortinou-se a nossa frente o belo e fascinante espetáculo de um mundo anárquico e hedonista.

O Criador vendo o Éden vazio vaticinou que um dia resgataria o homem. A desobediência do homem não seria obstáculo, porque um dia, a Sua palavra escrita em nossos corpos se converteria em Sagrada Escritura.

A saudade do Éden nos persegue invisível por trás dos fenômenos, querendo nos levar de volta àquele lugar vibrante e sobrenatural onde fomos forjados.

Em meio a anarquia desabalada do mundo, a saudade do Éden nos faz afundar nos subterrâneos de nossas almas, numa tentativa inócua de reaver o “não ser” do Paraíso perdido.

......... ......................


...................................DEUS

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos
!...

(Fernando Pessoa)



Ensaio por Levi B. Santos

Guarabira, 13 de outubro de 2009